\n'; document.write(barra); } } changePage();




![]()
![]()

![]()
A História da Minha Vida (Até aqui e agora)
Hoje, eu não vou lhes escrever nenhuma poesia. Mas, sim, lhes contar como foi a minha vida, até pouco tempo atrás...
Tudo começou quando eu estava com 15 anos. Eu era uma menina normal, inteligente e cheia de sonhos, como todas as outras. Foi nessa época, que eu comecei a ter sérios problemas de saúde. Sentia uma dor de cabeça horrível, que passava dos limites de que uma pessoa é capaz de suportar. Comecei a ter desmaios na escola, perdi a visão e durante algum tempo, tive que parar os estudos. Procurei vários médicos, mas, nenhum foi capaz de dar um diagnóstico. Da mesma forma como veio, a dor, de repente, depois de sete meses, desapareceu e eu recuperei parte da minha visão. Retomei meus estudos e pensei que tudo estava bem. Só que não havia terminado. A dor alternava períodos em que surgia e desaparecia. Eu ficava um ano bem e outro doente. O tempo passou. Eu comecei a trabalhar. Trabalhei durante um ano e, no fim desse ano, aquele mesmo problema, que já me acompanhava há nove anos, voltou. Eu tive que parar de trabalhar e procurei um médico que, ao ouvir meu relato sobre o meu problema, finalmente, depois de um exame, deu um diagnóstico. De acordo com ele, aquela dor se chamava nevralgia do trigêmeo e era conhecida como a pior dor que um ser humano pode experimentar. As perdas de visão, ele atribuiu a um outro problema chamado Neurite Óptica que, de acordo com a sua opinião, eram ambos causados por uma doença rara e muito grave chamada Esclerose Múltipla, uma doença auto-imune que faz com que o próprio corpo rejeite e destrua a bainha de mielina que é a camada que envolve os neurônios e que é responsável por enviar ao corpo os impulsos elétricos das ordens do cérebro, como, por exemplo, quando você deseja levantar a mão, a bainha de mielina envia a ordem para que a sua mão se levante. Estava dado o diagnóstico. Prognóstico da doença: incurável, progressiva e degenerativa. Eu me aposentei, com este diagnóstico, aos 24 anos. Queria ser médica, mas, não podia, de acordo com os médicos, trabalhar e nem estudar. Eu já era casada e continuei levando minha vida. Em 1992, meu filho nasceu. Em 1994, eu resolvi me separar do meu marido. Neste período, enquanto tudo isso acontecia, eu alternava, como sempre, períodos de saúde com de doença, como, por exemplo: bexiga neurogênica, que é uma doença que impede a pessoa de urinar, naturalmente, sem a ajuda de sonda; infecções urinárias freqüentes; diversas cirurgias; várias pneumonias; fraqueza generalizada e paralisia das pernas; lesão cerebelar, que afetava minha coordenação motora e meu equilíbrio, fazendo com que eu caísse muito e mal conseguisse ficar de pé, devido as vertigens freqüentes; perdas visuais sucessivas até minha visão estacionar em 30% em um olho e 5% em outro, durante vários anos, e dor, muitas dores... Mas, como tinha um diagnóstico, passei por várias internações, em vários hospitais e passei por exames e tratamentos muito dolorosos. Durante um destes períodos de dor da minha vida, teve um tão forte e difícil de ser debelado que a minha mãe, que acompanhava todo o meu sofrimento, rezou, pedindo a Deus que me levasse, porque não queria mais me ver sofrendo daquela maneira. Mas, eu não desisti e também rezei, pedindo a Deus, que me permitisse ficar, para provar, a todos, que, apesar de toda a dor e sofrimento, eu conseguiria ser feliz e conseguiria mostrar, a todos, que a felicidade existe e está ao alcance de nossas mãos. Pedi, a Deus, que me permitisse, um dia, mostrar, ao mundo, que é possível sermos felizes, não importa o que aconteça, a nossa volta, porque a felicidade está dentro de nós e, mesmo, que tudo a nossa volta desmorone, ela se mantém intacta, esperando que nós a encontremos, para podermos desfrutá-la, plenamente. Nestes períodos de crise, eu era dopada, tomava remédios a base de morfina e os médicos me faziam adormecer, para suportar a dor. Eles pensavam que enquanto dormia, eu sofria. Mas, mal sabiam eles, que eu apenas sonhava, e os meus sonhos eram repletos de beleza e esperança e, a cada despertar de uma nova crise, eu procurava realizá-los ou, se não conseguia, trocava-os por outros mais acessíveis para mim, pelo menos, naquele momento. Mas, esses novos sonhos não eram menos lindos do que os antigos e muitas vezes, eu me surpreendia, ao perceber que eram até mais prazerosos do que eu poderia supor, antes de concretizá-los. E, assim, apesar de tudo, aprendi a buscar forças, dentro de mim, para ser feliz e tentar fazer felizes todos que passassem por minha vida. Eu consegui, em meio a dor, ser realmente feliz, porque aprendi a valorizar as pequenas coisas e os mais breves momentos de prazer e alegria. Se eu conseguia ser feliz, pensava eu, por que as outras pessoas se sentem tão infelizes, quando têm tudo para ser muito mais felizes do que eu? Foi pensando nisto, que prometi, a Deus e a mim mesma, que faria tudo para mostrar, ao mundo, que todos podemos e merecemos ser felizes e que isto é tudo que Deus espera de nós.
Em 1996, sofrendo de uma simples crise de rinite alérgica, ao procurar uma médica, aconteceu algo surpreendente. Ela havia pedido uma tomografia computadorizada, para poder diagnosticar uma possível sinusite. No entanto, o exame havia mostrado algo que, antes, ninguém, sequer, havia suspeitado: a nevralgia do trigêmeo, da qual eu sofria, era causada por uma pressão do osso interno do nariz, denominado corneto. E o melhor de tudo, tinha cura. Bastava uma simples intervenção cirúrgica e eu ficaria livre da dor, para sempre. Imediatamente, eu disse a ela: pode marcar a cirurgia. Ela me respondeu, sorrindo: não precisa marcar. É apenas uma microcirurgia. Eu posso fazer, agora mesmo, com você sentada, aqui, na cadeira do meu consultório. Eu aceitei, é claro. Ela me aplicou uma anestesia local e realizou a cirurgia. Nem doeu e, daquele dia em diante, eu nunca mais tive nevralgia do trigêmeo. Mas, ainda, havia uma sombra que pairava no ar: a Esclerose Múltipla, uma doença que poderia me tornar inválida, da noite para o dia.
Em 1998, meu primo e afilhado, que se formará em medicina em 2001, estudava na faculdade, justamente, sobre isto. Seus professores eram os maiores especialistas do Brasil, sobre esta doença. Quando ele começou a estudá-la, dedicou, a ela, uma atenção especial, pensando em mim. E quanto mais ele pesquisava, mais se convencia de que eu não tinha a doença. Contou meu caso para seus professores, que resolveram investigá-lo. Eu, então, fui internada no Hospital da Lagoa, onde passei por uma junta médica dos maiores especialistas no assunto e fui submetida a vários exames. Depois de vinte dias de internação, os médicos se reuniram e me chamaram para dar o diagnóstico final. Nunca vou esquecer esse dia! A Drª Regina Alvarenga, uma dos maiores especialistas em Esclerose Múltipla da América Latina, autora de vários livros acadêmicos sobre o assunto, olhou para mim e disse, enquanto me entregava os resultados dos meus exames: todos os seus exames estão absolutamente normais. Você não tem Esclerose Múltipla. Aparentemente, tem uma Doença Desmielinizante Inespecífica, já que seus exames anteriores comprovavam a existência de uma doença e, hoje, eles são normais. E como a Esclerose Múltipla não tem cura, você não pode ter tido e deixar de ter e como, também, você não ficou com nenhuma seqüela, o que é comum nessa doença, então, chegamos a conclusão de que você não a tem. Mas, também não podemos dizer o que você tem ou teve, por não existir outro caso parecido nos registros médicos, até o momento, já que sua bainha de mielina parece ter se reconstituído e não sabemos explicar como, denominamos o seu caso, por ser um fenômeno diferente, de inespecífico. Como você recuperou tudo o que havia perdido, durante a sucessão de surtos da doença, inclusive a visão que, de acordo com a sua campimetria (exame que mede a capacidade e o campo visual) está em 100% nos dois olhos, atualmente, achamos que você, ao que tudo indica, não terá mais surtos. Pois, parece ter ficado curada, se é que isso é possível. Portanto, como não precisa mais tomar remédios e nem fazer nenhum tratamento, você pode e deve levar uma vida saudável e normal. Foi o dia mais feliz da minha vida! Eu olhei para ela e me recordei, imediatamente, das célebres e sábias palavras de Jesus: “A tua fé te curou” e compreendi que a dor tinha servido, para mim, como aprendizado, como lição e mestra na escola da vida. Mas, a partir do momento em que eu aprendi tudo o que ela tinha para me ensinar, ela deixou de ser necessária para mim, assim como, quando somos aprovados na série em que estávamos e passamos de ano, trocamos os professores que nos acompanhavam, até então, e recebemos novos mestres, que nos ensinarão matérias mais adiantadas, pois, já estamos preparados para compreendê-las. E, assim, eu fiquei curada da dor, para começar a aprender e trabalhar no amor. Porque, Deus só nos dá aquilo que precisamos e quando precisamos. Eu tive alta, voltei para casa e, no início, pensei em retomar meus estudos. Mas, depois, analisando melhor a situação, resolvi adiar meus planos para quando meu filho estiver maior. Além do mais, eu já havia descoberto a pintura que estava e está me realizando muito. Não quis retornar ao trabalho. O que eu fazia não tinha mais nada a ver comigo e, assim, teria mais tempo para me dedicar ao meu filho, escrever e pintar.
Hoje, eu levo uma vida normal, tenho muitos sonhos e ideais que, um dia, pretendo realizar. Aprendi muito com a vida e com tudo o que sofri. Eu, nunca, me revoltei ou perdi as esperanças e me considero uma pessoa muito feliz. Se eu sou a pessoa serena, confiante e tranqüila de hoje, devo tudo isto a todas as lições que a vida me ensinou e sou grata por tudo o que tenho e por tudo o que sou. É por tudo isto, que, hoje, estou aqui, lhes contando minha história, para que vocês compreendam que se eu, em meio a toda a dor e sofrimento, consegui encontrar a felicidade, imaginem vocês, que não precisam passar por tudo isto que passei, o quanto podem ser felizes. Eu estou aqui para passar para vocês um pouco de tudo o que aprendi, através da dor, para que vocês não precisem sofrer e sentir dor, para compreenderem e descobrirem que já são felizes e o quanto são abençoados, porque receberam, de Deus, o maior milagre de todos, que é o dom da vida, e este milagre, somente Deus pode nos proporcionar. Mas, existe um milagre que cada um de nós deve e pode realizar, que é o milagre do amor, porque somente ele pode vencer todos os obstáculos e trazer luz aonde há escuridão, prazer aonde há dor e felicidade aonde há lágrimas. E este é o meu tesouro mais precioso: o meu amor pela vida, por mim mesma, pelo mundo, por Deus e por vocês. E é este tesouro que desejo lhes ofertar, de todo o meu coração, porque o amor e a minha fé são minha força e formam a minha essência. Juntem as pedras do caminho e construam, cada um, a sua ponte porque eu já estou construindo a minha e quero encontrar cada um de vocês, do lado de lá deste muro, para, juntos, desfrutarmos da mais intensa e completa felicidade.
Meg Sol (Lovely Angel)
Escrito em Julho de 2000 Voltar
Página criada em 1 de janeiro de 2006.
|
